quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Lidar com a timidez das crianças

Só por si, os genes da timidez não têm poder suficiente para condicionar a nossa auto-estima e o nosso grau de sociabilidade. Mais importante e decisiva é a forma como os nossos pais nos olham, vêem o mundo e a si próprios. Boas expectativas são fonte de confiança e bem-estar.

Ser tímido não é uma doença. Também não é uma disposição incurável ou rara. Na verdade muitos de nós nascemos com esta predisposição. Cerca de vinte por cento, asseguram especialistas nestas áreas, que atribuem esta característica a um factor genético herdado do pai ou da mãe.

Por outro lado, sabe-se igualmente que qualquer criança, independentemente de ser ou não potencialmente tímida, atravessa fases de retraimento ligadas a ciclos de crescimento. A primeira demonstração de estranheza ou «vergonha» ocorre por volta dos seis meses de idade, quando o bebé aprende a diferenciar o ambiente em que vive e as pessoas que estão á sua volta. Mais tarde, com pouco mais de um ano, o bebé volta a sentir uma certa insegurança ou «vergonha» quando se descobre uma pessoa independente dos pais, temendo o contacto com estranhos. São fases normais de crescimento que não fazem a «história» do bebé.

O que vem a seguir é claramente determinante, ou seja, são as circunstâncias de vida que irão acentuar essa predisposição ou, pelo contrário, diluí-la, e mesmo «apagá-la» completamente.

Dito isto, um bebé potencialmente «tímido» tem todas as hipóteses de deixar de o ser à medida que cresce, se for apoiado e encorajado pelos pais no sentido de desenvolver capacidades, competências e auto-estima. Pelo contrário, circunstâncias adversas na infância poderão levar a que timidez se instale de uma forma excessiva, transformando-a num «sintoma complexo», segundo Claude Halmos, psicanalista francesa. E este sim, exige ser identificado a tempo e levado muito a sério.

O problema reside no facto de muitos pais considerarem a timidez, tal como a preguiça ou a distracção, uma característica incomodativa e ligeiramente pejorativa, esperando que mude com o tempo. Desagrada-lhes que o filho se lhes agarre às pernas, impacientam-se quando ele se recusa a brincar com outros meninos ou que não abra a boca em frente de estranhos. «É tão tímido!», dizem, ignorando a violência do impacto que esse diagnóstico causa na criança. O mais provável é que muitos anos depois, já na idade adulta, esta ainda sinta como extremamente dolorosa a etiqueta da timidez que se lhe colou à pele para sempre, como se fizesse parte da sua verdadeira identidade.

Ao longo da infância, muitas vezes desde muito cedo, já que a timidez excessiva se torna particularmente visível entre os cinco e os sete anos, os tímidos sentiram-se culpabilizados, pressionados a mudar, prisioneiros de medos que os impediam de se expandir, de ir ao encontro dos outros, de investir com prazer nas mais variadas actividades, de revelarem capacidades e competências com medo da crítica dos outros. Essa consciência vem mais tarde, ainda que tenha sido vivida com muita dor na infância.

Quando se parte à procura das causas que podem levar ao desenvolvimento excessivo da timidez infantil, muitos são os que relacionam o sintoma, ainda que «complexo», com um possível sentimento de desvalorização desde muito cedo instalado. Françoise Dolto, psicanalista francesa, remonta aos primeiros momentos após o nascimento e ao efeito das expectativas parentais sobre o bebé, que ficam gravadas como numa «banda magnética» no seu cérebro. Desse olhar depende o lugar que lhe reservam na família. Mas depende igualmente do olhar que os pais têm sobre si mesmos. Se são eles próprios tímidos e pessimistas, se têm medo da vida e dos perigos que ela encerra, se são inseguros e pouco satisfeitos, se tendem a isolar-se dos outros, se têm poucos amigos, se são super-protectores e ansiosos, então é provável que tudo isso venha a influir no comportamento da criança. O mesmo acontece quando são excessivamente rígidos, críticos em permanência, avessos a demonstrações de ternura ou muito dominadores.

Reconhece-se, pois, que os pais têm a sua parte de responsabilidade em todo o processo, sem que por isso sejam «culpados». Podem e devem, contudo, tomar consciência destes factos e tentar melhorá-los. Demonstrar afecto, incitar a criança a abrir-se e a falar sobre o que sente, aplaudir as suas conquistas e os seus êxitos, por menores que sejam, são formas seguras de os ajudar. Devem evitar compará-lo com outros, suprimir as críticas destrutivas, não desvalorizar os seus medos e inseguranças, motivá-lo a experimentar actividades sem nunca o forçar, incentivar o seu desejo de acção, convidar outras crianças para brincar com ele e acompanhar os seus jogos.

Actividades como a pintura, a música e o teatro ajudam a quebrar a rigidez e incentivam a criatividade. Quando a criança tímida interioriza a ideia de é capaz de fazer coisas bem feitas, e que vai somando pequenas vitórias, a sua auto-estima cresce, o que é afinal o segredo da nossa confiança, em nós e nos outros. Devemos aceitar que a timidez é um problema que se vence gradualmente e com paciência.

PALAVRAS QUE AJUDAM

1 – Não é inofensivo dizer a uma criança que é tímida. Esta etiqueta vai persegui-la a vida toda.
2 – A timidez não é uma doença. Prende-se com a desvalorização da auto-imagem e com a imagem do outro, sentido como perigoso.
3 – Os pais devem fornecer aos seus filhos instrumentos para viver em sociedade, ajudando-os a enfrentá-la.

in "Pais & Filhos"

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Um jogo que leva as emoções aos dedos das crianças autistas


Com o indicador encostado ao ecrã empurra-se uma linha e desenha-se a expressão de um sorriso. Empurra-se uma outra linha que finge ser a sobrancelha e levantamos o olho para revelar outra emoção. Enquanto empurramos linhas, vemos uma cara a reagir. Um homem de barba mal feita e careca que, apesar dos animais e bonecos simpáticos que se possam oferecer, parece ser o favorito dos meninos. Estamos no LifeisGame, um jogo de computador feito a pensar em crianças que têm uma perturbação do espectro autista e que precisam de aprender a identificar a expressão de emoções num rosto humano.

Leia mais sobre este jogo aqui!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Jantar em família ajuda a formar adolescentes e crianças felizes


Uma pesquisa recente demonstra que jantar à mesa em família pode beneficiar os adolescentes mais do que se pensa, na medida em que contribui para reduzir as probabilidades de que os jovens venham abusar drogas, cigarros ou álcool.
Na semana passada um centro de investigação de abuso de substâncias norte-americano publicou um estudo acerca de como as refeições em família podem ter impacto na saúde dos jovens adolescentes.

Aqueles que jantam com a família cinco a seis vezes por semana têm quatro vezes menos probabilidades de consumir álcool, tabaco e cannabis do que jovens que jantam menos de três vezes por semana com os pais.

Um estudo britânico, por outro lado, mostra que jantar em família é um ingrediente crucial para assegurar a felicidade das crianças.

Os investigadores descobriram que as crianças que jantam em família mais de três vezes por semana demonstram níveis mais elevados de felicidade.

De acordo com Maris Iacovou, médico da Universidade de Essex, e ao contrário da crença generalizada de que os jovens preferem estar sozinhos a ver televisão ou a jogar no computador, a verdade é que estes são mais felizes quando interagem com os seus pais e familiares.

O jornal The Independent refere que fazer coisas em família e limitar as actividades extra escolares das crianças para que possam ter tempo para estar em família, ajuda a criar um ambiente familiar saudável e, dessa forma, educar crianças mais equilibradas e felizes.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Ainda a propósito do Novo Acordo Ortográfico

Quando eu escrevo a palavra acção, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o C na pretensão de me ensinar a nova grafia.

De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa.

Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim.

São muitos anos de convívio.

Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes CCC's e PPP's me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância.

Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da
professora: - não te esqueças de mim!

Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí.

E agora as palavras já nem parecem as mesmas.

O que é ser proativo?

Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa
redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.

Depois há os intrusos, sobretudo o R, que tornou algumas palavras
arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato.

Caíram hifenes e entraram RRR's que andavam errantes.

É uma união de facto, e para não errar tenho a obrigação de os acolher
como se fossem família. Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar
uma linha entre eles, porque já não se entendem.

Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os EEE's passaram a ser gémeos, nenhum usa ( ^^^) chapéu.

E os meses perderam importância e dignidade; não havia motivo para terem privilégios. Assim, temos janeiro, fevereiro, março, são tão
importantes como peixe, flor, avião.

Não sei se estou a ser suscetível, mas sem P, algumas palavras são uma
autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.

As palavras transformam-nos.

Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos.

Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do C não me faça
perder a direção, nem me fracione, e nem quero tropeçar em algum objeto.

Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem
atuante com um C a atrapalhar.

Só não percebo porque é que temos que ser NÓS a alterar a escrita, se a
LÍNGUA É NOSSA ...? ! ? ! ?

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Novo Acordo Ortográfico

O novo Acordo Ortográfico entrou em vigor em Janeiro de 2009. Mas, até 2015, decorre um período de transição, durante o qual ainda se pode utilizar a grafia actual.
Muito se fala deste Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, no entanto poucas são as informações claras que nos permitem saber o que foi alterado. Para todos os que ainda têm dúvidas e questões, a Janela Redonda dispõe de vários documentos relativos ao Novo Acordo Ortográfico e também à Gramática no Ensino Básico.
Teremos todo o gosto em partilhá-los, bastando para isso que o solicite por e-mail através do endereço geral@janelaredonda.pt

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Loja Online de Artigos Lúdico-Didácticos

A Janela Redonda dispõem agora de uma loja online onde poderá encontrar puzzles, encaixes, construções, engrenagens, instrumentos musicais, veículos infantis, jogos tradicionais, artigos de estimulação infantil e muitos outros produtos lúdico-didácticos.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

II Congresso Nacional de Inclusão

Nos dias 12 e 13 de outubro de 2011, decorrerá o II Congresso Nacional de Inclusão (CNI) no Auditório da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).
O CNI tem como objetivo promover a reflexão sobre os modelos de intervenção social e comunitária. É entendido como um espaço capaz de identificar os desafios e oportunidades para o planeamento de estratégias e realização de projetos, desenvolver políticas sociais de integração e cooperação com o sentido de promover a inclusão social de Cidadãos Com Menos Oportunidades.
A realização da 2ª edição do CNI, subordinada ao tema Inclusão digital = Cidadania Activa dará espaço às preocupações de uma nova divisão “digital” criada pela desigualdade de acesso à Sociedade de Informação e Tecnologia e ao esforço colectivo no fomento e implementação de práticas de “Inclusão” promotoras de umaa real “Cidadania Activa” na sociedade portuguesa.
Sendo a actividade laboral, de longe a mais eficaz no sentido de conferir autonomia para a pessoa humana e considerando que grande parte das actividades hoje desenvolvidas pelo homem estão estreitamente relacionadas a sistemas autónomos, o domínio da Tecnologia e da Informação é de fundamental importância para o crescimento e emancipação da pessoa.
A comissão organizadora do Congresso convida a comunidade académica, empresarial e institucional a apresentar comunicações resultantes de produção científica recente ou em curso sobre fenómenos de inclusão digital e de cidadania a nível nacional e internacional nas Actividades Técnicas do Congresso:


1. Congresso: As comunicações terão de ser aceites pelo Secretariado do Congresso, com duração de 15 minutos, mais 5 minutos de discussão.
As propostas de Comunicações/Oradores deverão ser enviados até dia 15 de Julho de 2011 para o email: congressonacionalinclusao@gmail.com


2. ExpoCNI: Convidamos as instituições Universitárias, Empresas e Instituições Sociais a apresentar instrumentos inovadores na área tecnológica e Informacional favoráveis à inclusão (que pode ser de carácter comercial) promovendo os produtos ou tecnologias mais recentes.
As propostas deverão ser enviados até dia 30 de Julho de 2011 para o email: congressonacionalinclusao@gmail.com


3. Publicação de “Manual de Boas-Práticas de Inclusão Social”: Serão aceites trabalhos originais e inovadores de reflexão teórica ou de carácter empírico que nos permitam reflectir sobre Contextos de Inclusão Digital e Cidadania Activa.


Os resumos deverão ser enviados até dia 15 de Agosto de 2011 para o email: congressonacionalinclusao@gmail.com
Aproveitamos a ocasião para convidar as Empresas e Instituições com interesse em Apoiar Financeiramente ou Logisticamente a informarem-se sobre as formas de colaboração com o Secretariado Técnico do Congresso.
Informação sobre o Encontro!